Secretária sem contratar: como funciona pagar por consultório
O consultório de um médico só vive num intervalo ruim: tem telefone demais para você atender e trabalho de menos para justificar alguém oito horas por dia na recepção. O modelo por consultório existe para esse intervalo.
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Quase todo consultório pequeno já fez a conta de contratar, se assustou e voltou a atender o próprio telefone. O susto costuma vir do número errado — e a desistência, de não ter comparado com nada.
A conta de contratar, linha por linha
Não é para assustar: é que quase ninguém soma até o fim, e sem somar não dá para comparar com alternativa nenhuma.
- O salário. O número que todo mundo tem na cabeça, e o único que não basta.
- O 13º. Um doze avos a cada mês, queira você provisionar ou não.
- Férias mais um terço. Outro doze avos, e mais um pedaço dele.
- O FGTS, 8% sobre a remuneração, todo mês.
- Os encargos do seu regime. Aqui a resposta muda de consultório para consultório — Simples, anexo, pró-labore, convenção da categoria. É uma pergunta de cinco minutos para o seu contador, e vale fazer antes de qualquer decisão.
- Vale-transporte, vale-refeição e o que mais a convenção determinar.
- O que você provisiona para a rescisão. O custo de desfazer faz parte do custo de fazer.
O número que importa no fim não é o salário: é a soma disso tudo dividida pelas horas em que essa pessoa tem trabalho de verdade para fazer no seu consultório.
Quantas horas de trabalho existem, de verdade
Faça a conta ao contrário. Sessenta consultas por mês geram: marcar, confirmar na véspera, remarcar uma em cada dez, receber e dar baixa, responder três ou quatro perguntas de convênio por dia e organizar o que ficou pendente. Some com honestidade e o resultado costuma ser algumas horas por dia — não oito.
É exatamente por isso que o consultório pequeno acaba sem secretária nenhuma: a escolha que aparece é entre contratar tempo demais e não contratar nada.
O que muda no modelo por consultório
- A mesma secretária atende alguns consultórios. É isso que faz o custo caber num consultório de um médico só — ela trabalha o dia inteiro, só não o dia inteiro para você.
- Ela trabalha dentro do sistema. Marca na sua agenda, confirma com o paciente e fala com você por ali, em vez de num grupo de WhatsApp em que o combinado se perde.
- Ela vê a agenda e os pedidos; não vê prontuário. O bloqueio é no banco de dados, não um item escondido no menu — e isso vale também para o que ela veria por engano.
- Não é vínculo de emprego. É prestação de serviço, com contrato. O que isso exige do seu lado é outra pergunta curta para o contador.
- O valor se combina numa conversa, com a equipe apresentando as duas pontas. Etiqueta de preço na vitrine faria você escolher a mais barata sem saber o que cada uma resolve do seu dia.
Quando contratar continua sendo melhor
Há casos em que o modelo compartilhado não serve, e vale dizer quais:
- Recepção física. Alguém precisa receber o paciente na porta, servir água, entregar a guia. Isso não se faz à distância.
- Procedimentos com sala e material. Preparar sala é trabalho presencial e previsível — exatamente o que justifica contratar.
- Faturamento de convênio pesado. Volume alto de guias é uma função inteira, não um pedaço do dia.
- Mais de um médico na mesma sala de espera. Aí o custo já se divide entre vocês, e a conta vira outra.
Como experimentar sem decidir nada
Anote uma semana
Toda vez que o telefone ou o WhatsApp do consultório tirar você de alguma coisa, risque um traço num papel. No fim da semana você tem o tamanho real do problema.
Separe o que exige você
Dos traços, quantos precisavam de médico? O resto é o trabalho de que estamos falando.
Converse com uma secretária antes de decidir
A vitrine mostra quem está com vaga aberta, e a conversa serve para ver se o seu caso cabe no modelo. Sai de graça descobrir que não cabe.