Quanto custa uma falta: a conta que ninguém faz
A falta tem uma propriedade incômoda: ela não aparece em lugar nenhum. Não entra no extrato, não vira despesa, não tem nota. O dia só rendeu menos — e ninguém no consultório sabe dizer quanto.
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Pergunte a um colega quantas faltas o consultório dele teve no mês passado. Ele vai dizer “umas”, “bastante”, “depende da semana”. Nenhum desses é um número, e o que não é número não se corrige: só se reclama.
A conta, com os seus números
São três números, e você consegue os três hoje:
- Quantas consultas você atende por mês.
- Quantas faltas houve no último mês. Se não souber, esse é o primeiro problema — e não é o maior deles.
- Quanto custa manter o consultório aberto por mês: aluguel, secretária, luz, sistema, contador. O custo que existe mesmo que ninguém apareça.
A primeira parte da conta é a óbvia: falta × valor da consulta = receita que não entrou. Oito faltas numa consulta de R$ 350 são R$ 2.800 que o mês não viu.
A segunda é a que quase ninguém soma, e é a mais interessante. O custo fixo não some com a falta — ele se concentra. Num mês com 80 horas de consultório e R$ 6.000 de custo fixo, cada hora carrega R$ 75. Com oito faltas, as 72 consultas que aconteceram passam a carregar R$ 83 cada uma.
A falta não cria uma despesa nova. Ela joga a despesa que já existia em cima das consultas que aconteceram.
A conta inteira
Falta e cancelamento não são a mesma coisa
Quem avisa na véspera devolve um horário: dá tempo de oferecer para outra pessoa, e muitas vezes ele é preenchido. Quem não aparece queima o horário inteiro — e queima junto o tempo de quem ficou esperando para ver se aparecia.
Medir os dois no mesmo balde esconde justamente o que tem conserto. Separe: cancelamentos com aviso são um problema de agenda; faltas sem aviso são um problema de lembrete e de combinado.
O que reduz, em ordem de esforço
O lembrete automático
É o mais barato de todos porque ninguém precisa lembrar de mandá-lo. Um aviso na véspera resolve o esquecimento puro — que é a maior fatia das faltas de consultório, e a mais fácil de confundir com desinteresse.
A confirmação que pede resposta
Diferente do lembrete: ela espera um sim. O valor dela não é confirmar quem vem; é descobrir cedo quem não vem, enquanto o horário ainda dá para oferecer a outra pessoa.
A lista de quem quer mais cedo
Toda agenda tem três ou quatro pacientes que topariam antecipar. Anotados em algum lugar que não seja a memória da secretária, um horário vago vira telefonema de dois minutos em vez de hora perdida.
O horário escolhido pelo próprio paciente
Quem escolheu o horário no link de agendamento escolheu o que cabia na vida dele. O horário oferecido por telefone costuma ser o que sobrou na agenda — e o que sobrou é o que falta.
O que medir a partir de amanhã
Uma taxa só não diz o que fazer. Quatro cortes dizem:
- Por mês, para ter uma linha de base — sem ela, qualquer mudança “parece” que funcionou.
- Por horário do dia. Falta concentrada às 8h e às 18h é problema de trânsito e de trabalho, não de interesse.
- Primeira consulta ou retorno. São motivos diferentes: a primeira falta porque o problema melhorou; o retorno falta porque pareceu dispensável.
- Por origem. Quem marcou pelo link, por telefone e pelo convênio não falta na mesma proporção — e a diferença costuma surpreender.
O que isso não resolve
- Paciente que falta porque melhorou vai continuar faltando. O que muda é você saber disso em vez de supor.
- Agenda com espera de dois meses falta mais, e nenhum lembrete conserta espera de dois meses.
- Convênio com marcação feita por fora tem a falta que ele tem: o lembrete só alcança quem deixou um contato com você.
No marque.med.br o lembrete e a confirmação já vêm ligados com a agenda, e a falta fica registrada na consulta. Começar leva alguns minutos — e o primeiro número honesto aparece no fim do primeiro mês.